São Paulo · São Paulo Capital

À mesa paulistana: D.O.M.

A imponência da fachada dispensa a identificação do estabelecimento, de antemão nós sabemos que só pode ser ali.  No interior, um ambiente de paredes claras, pé direito imenso e decoração escura, objetos das mais variadas origens e tendências e uma iluminação suave criando um clima intimista que seria bem mais agradável se a distância entre as mesas fosse maior e não participássemos da conversa ao lado. 

Eu não fotografei o “amuse bouche” pelo choque ao encará-lo:  uma saúva durinha, rígida como de metal, me lembrou das aranhas da Louise Bourgeois e me deixou em pânico imaginando como seria o desdobramento desse excêntrico cardápio.  Ao seu lado algo na forma de uma empadinha envolta numa casquinha crocante, outra formiguinha, dessa vez bêbada de cachaça. Foi duro, mas eu venci a primeira etapa e descobri que formigas sabem a capim limão.  E como estava preparada para o pior a delicadeza do que veio depois do susto inicial foi realmente surpreendente.

Se você está a fim de um passeio gastronômico pelas raízes da nossa culinária, esse é o lugar certo.  No momento festeja-se a mesa indígena e sua principal peça de resistência: o aipim (ou mandioca, macaxeira) é apresentado em todas as suas versões com toques de originalidade e preparos inusitadamente harmoniosos, como a farofinha acompanhada de botarga, o aligot com tofe de baunilha do Serrado ou as vieiras com caju e tutano.  O menu degustação é fixo, o cliente opta pelo “Optimus” ou “Maximus”, onde, segundo a explicação do maitre, o volume é semelhante ficando a diferença por conta do número de pratos. Eu escolhi o segundo com duas taças de vinho, um branco e outro tinto, para acompanhar os trabalhos dessa noitada prazerosa a um custo estratosférico.

Valeu a pena?  Sim, foi ótimo, bom demais!

Link da casa: http://domrestaurante.com.br/pt-br/home.html